O autoestudo ou estudo individual

 



O autoestudo no Brasil está engatinhando por iniciativa de alguns estudiosos no assunto que estão se aprofundando na pesquisa de conceitos, práticas e resultados. O autoestudo está relacionado diretamente à autonomia e ao autorregulamento do aprendiz e pode ser diretivo ou auto diretivo. Na diretiva, o educador é responsável pela gestão do processo de ensino e aprendizagem. Na auto diretiva, o aprendiz toma esse papel, de forma que o educador o ajuda a sustentar sua própria atenção e a elaborar a atividade. Dessa forma, determina-se três perspectivas distintas durante o processo da autoeducação:


  Visão de mundo: predomina a visão de mundo de conotações particulares à medida que o aluno experimenta o mundo, e os elementos das experiências vão adquirindo significados para ele;


 Visão do aprendiz: o aluno é dotado de curiosidade, ativo, auto direcionado ou direcionado, autorregulado e único. É um ser com potencial para ser racional;


 Visão cognitiva:  o homem é um ser racional e passa do conhecimento animal, instintivo, para o conhecimento racional. Acontece da seguinte forma: inicia-se nos sentidos, passa pela imaginação, eleva-se ao pensamento e organiza-se racionalmente em dados (informações). Esse processo acontece continuamente. Já a operação cognitiva ocorre da seguinte maneira: precisa de dois atores — o organismo e o objeto — e desenvolve-se no tempo com começo (organismo), meio (chegada do objeto) e fim (fim da reação de organismo e objeto que resulta de um estado modificado).


Um dos fatores que influenciam o aprendizado são as características do aluno, que incluem diferenças individuais, experiências prévias de aprendizado e compreensão do tema proposto. Outras influências são denominadas características de contexto e englobam o ambiente de estudo (casa ou escola), o responsável pelo ensino, a organização do currículo e os métodos de ensino.

O ambiente de ensino é aspecto essencial para o aprendizado. De forma ampla, inclui-se no ambiente de ensino a filosofia educacional escolhida para embasar o currículo, seja ela centrada no aluno ou no conteúdo, com metodologias tradicionais ou ativas. A fragmentação do currículo — muitos temas sendo ensinados por diferentes professores — pode ser contraprodutiva para a utilização de abordagem profunda. O tempo disponível para cada tema é limitado, restringindo as oportunidades para que os alunos os dominem com profundidade. Existem outros métodos e abordagens mais centrados no aluno que parecem encorajar o aprendizado profundo, melhorando seu resultado. Isso acontece quando o professor permite:


  •  Motivação intrínseca e curiosidade;
  •  Independência do aluno;
  •  Escolhas do aluno;
  •  Oportunidades para trabalhar com outras pessoas;
  •  Um ambiente modificador, de suporte e pouco ameaçador.


O autoestudo está contido em todo processo de aprendizagem, em todas as modalidades de ensino(presencial, semi presencial, on-line, educação domiciliar) e também nas atividades individuais, como, por exemplo, tarefas de casa, avaliações e apresentações de trabalho individual.  O meu estudo sobre o tema resultou na elaboração de três fases do autoestudo, considerando que nossos estudantes  estão habituados a ambientes de aprendizagem nos quais alguém já preparou a sua grade curricular. São elas:


 1.ª Fase: indiferenciada — divide-se em duas áreas:


 A) Pessoal: desconhecimento de si mesmo. Nesta fase, o indivíduo não tem consciência de suas capacidades, habilidades, competências e/ou interesses;


 B) Cognitiva: a aquisição do conhecimento encontra-se desorganizada. O aluno depende de outra pessoa para preparar sua grade curricular.


 2.ª Fase: ordenação — é composta por cinco áreas:


A) Pessoal: o indivíduo está consciente de suas habilidades, competências, vocação sabe como acessar a inteligência;


B) Cognitivo: consegue realizar a ordenação do conhecimento. Nesta etapa, o indivíduo sabe o que precisa aprender;


 C) Métodos: domina métodos para cada objetivo de estudo;


 D) Recursos humanos: aproveita os ensinamentos dos professores e sabe onde encontrá-los quando precisar;


 E) Abordagens de aprendizado — subdivide-se em três áreas: 


Abordagem   superficial:  quando  os  estudantes  estão motivados pelo desejo de concluir o curso ou pelo medo de fracassar. Ansiedade, medo de falhar e baixa autoestima estão associados a essa abordagem. Adquirem a informação por memorização mecânica, sem compreensão, apenas para reproduzi-la nos testes. O foco é no material ou na tarefa, e não no significado ou no propósito. O resultado desta abordagem é apenas a memorização da informação e um nível de entendimento superficial.

Abordagem    profunda:   quando   o   interesse   pelo tema a ser estudado motiva os estudantes. O processo para alcançar o aprendizado varia de aluno para aluno e conforme o tópico estudado. O aluno pode usar analogia, fazendo conexão com o conhecimento prévio; prestar atenção no conteúdo e procedimentos utilizados para memorização e entendimento; e buscar dar significado pessoal ao assunto. O resultado do aprendizado, nesse caso, é um entendimento profundo, baseado no conhecimento adquirido e apoiado por uma base sólida. 

Abordagem    estratégica:   os   estudantes   utilizam processos tanto da abordagem profunda quanto da superficial. A diferença está na intenção que determina a escolha, pois os alunos que utilizam essa abordagem são motivados pela necessidade de alcançar altas notas. Como consequência, o aprendizado é um nível de entendimento que dependerá do que é solicitado pelo curso ou disciplina.


 3.ª Fase: integração — às duas abordagens anteriores estão integradas. Há o uso de estratégia para gerenciar o processo de ensino e aprendizagem e pontualmente saber o que estudar, qual o melhor método é a melhor abordagem (superficial ou profunda), customizando todo o procedimento.



Professora Nivia Lanznaster
nivia@eteach.com.br

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